Depois de ter lançado, com sucesso de público e de crítica, o livro “Peregrinação interior: Transcendência”, o escritor Fábio Souza conversou conosco sobre os seus escritos e nos abriu muito do seu íntimo. Confira o teor da entrevista:
INFORMATIVO CULTURAL: Fabio, o fato de você ser um Psicanalista o ajudou a escrever “Peregrinação interior: Transcendência”?
FABIO SOUSA: Quando escrevi Peregrinação Interior: Transcendência, ainda vivia em Campo Formoso, na Bahia, minha terra querida, e não havia concluído o Ensino Superior. Para ser Psicanalista, no Brasil, é necessário que a pessoa tenha um curso superior completo.
A Psicanálise mudou a minha vida, e com certeza influencia hoje em meus escritos e influirá nos meus livros vindouros. Será uma experiência nova e fantástica escrever uma obra influenciada, de certa forma, pelo conhecimento psicanalítico, mesmo que esse não seja necessariamente o seu tema principal.
Já não dissocio minha vida, meus atos, minhas emoções e sentimentos daquilo que aprendo e aprenderei com a Psicanálise. Psicanalista, para mim, é um estado de ser.
IC: Como você mesmo relatou, seu primeiro romance foi escrito quando você tinha 08 anos de idade... Você se considera um prodígio?
FS: Não. Eu não sei exatamente o que acontece comigo em relação à literatura, à escrita de um modo geral. Aprendi a ler sozinho, com 04 anos, e minha mãe ficou extremamente assustada, porque eu gostava de escrever as palavras de trás para frente, com letra de forma ou não. Assim, meu primeiro apelido foi Menino Maluquinho (risos).
Me sentia altamente deslocado na escola, pois meus colegas pareciam estar num ritmo e eu num outro. Porém, jamais me senti superior a qualquer deles. Isso, de algum modo, prejudicou minha infância, porque eles sempre me batiam ou me xingavam, o que me fez, por alguns anos, me sentir diferente e mal com isso.
Mas não posso reclamar: se sofri, isto me trouxe experiência e um certo tipo de sabedoria que percebo que nem todo mundo possui.
IC: Você costuma se identificar com alguns ou alguns de seus personagens?
FS: Isso não é uma regra, mas às vezes acontece. De qualquer forma, se quem escreve sou eu, meus personagens devem ter, mais ou menos, características que são minhas também.
Mas não estou exatamente preocupado com isso enquanto escrevo: vai acontecer, quer eu queira, quer não.
IC: O fato de você ser espírita tem lhe deixado tendencioso nesse aspecto, em seus romances?
FS: É claro que a minha religião influencia e contribui nos meus escritos, na minha visão de mundo. Mas a maior contribuição que posso retirar dos escritos de Allan Kardec e Chico Xavier, por exemplo, é que devo respeitar todas as outras convicções religiosas do mundo, pois somos todos irmãos, filhos de um mesmo Deus amoroso, que vela e conduz a todos nós.
Assim, meus livros não são espíritas, mas de literatura universal. Não quer dizer que nunca escreverei nada em matéria de Espiritismo, o que só o tempo dirá, mas esta não é a minha intenção no momento. O que quero é escrever sobre uma abordagem inédita a respeito de Chico Xavier, mas, convenhamos, ele foi tão grande que ultrapassou e muito os arraiais da Doutrina Espírita, um exemplo de vida e uma inspiração constante para mim e milhões de pessoas no mundo inteiro, em suas diversas reencarnações que conhecemos.
Sinto um compromisso profundo com a arte em meu trabalho e acredito numa arte que pode atingir a todos e ser desfrutada desta maneira, sem barreiras religiosas de qualquer espécie.
IC: O que mais o fascina no universo humano?
FS: A própria condição de SER HUMANO. Nem mais, nem menos. Nem anjos, nem demônios. Nem bicho, nem planta. Só humano, o que nos traz uma responsabilidade imensa e gloriosa. Nos traz a possibilidade de errar e acertar, pois isso faz parte do processo.
IC: E quanto ao seu estilo poético, como você analisa a sua poesia?
FS: Não consigo me encaixar apenas num estilo poético. Já escrevi poemas concretistas, barrocos, etc. Minha poesia é o reflexo do que sou, penso, sinto num determinado momento. Diversas vezes só durante aquele momento específico.
A poesia é parida num processo bem mais íntimo do que se pode imaginar geralmente, porque ela exige emoção, que é o movimento rápido de uma energia psíquica através de algo que experienciamos.
Fazer poemas, para mim, é tão íntimo quanto fazer sexo, e, quando revelo minhas composições dessa natureza a alguém, me sinto como se todos estivessem me observando transar. É uma situação inefável, que pode ser explicada toscamente por um dos meus conjuntos de versos, chamado Casos:
Cada caso é um caso,
Nem todo caso
É um caso amoroso.
Mas quem tem caso,
Na verdade,
Quer casar.
Dá pra entender?
IC: Para encerrar, o que você diria aos leitores do Informativo Cultural?
FS: Que é um espaço fantástico para quem deseja conhecer uma parte do mundo através de Feira de Santana, ou um pedaço de Feira de Santana através do mundo. Esse é o lance da internet.